Editados por HARLEQUIN IBÉRICA, S.A.
Núñez de Balboa, 56
28001 Madrid
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A MAIOR FORTUNA, N.º 1096 - Novembro 2012
Título original: Return of the Secret Heir
Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.. Publicado em português em 2012
Todos os direitos, incluindo os de reprodução total ou parcial, são reservados. Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Enterprises II BV.
Todas as personagens deste livro são fictícias. Qualquer semelhança com alguma pessoa, viva ou morta, é pura coincidência.
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I.S.B.N.: 978-84-687-1322-9
Editor responsável: Luis Pugni
Conversão ebook: MT Color & Diseño
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Quando as portas do elevador se abriram no piso do escritório de advogados, o coração de JT Hartley acelerou-se.
Ela estava ali... a um par de metros, na mesa de receção, de costas para ele, com o seu lindo cabelo acobreado apanhado com um laço. Aquele corpo feito para pecar, que se tinha tornado ainda mais sensual com a maturidade, estava enfiado num austero fato de saia e casaco cor de café.
JT ficou sem respiração, sentindo que o tempo não tinha passado. Sentiu um desejo avassalador de a tomar entre os seus braços. Mas tinham passado quase catorze anos desde que ela lhe tinha outorgado esse direito. E as coisas tinham mudado.
O seu advogado, Philip Hendricks, pigarreou. JT olhou para trás e percebeu que Philip o estava a olhar, segurando as portas do elevador. Tinham esperado uma hora num estacionamento do centro por que Pia chegasse e, depois, tinham-na seguido até ali.
Endireitando-se, JT saiu do elevador e entrou no escritório. Deteve-se por trás dela, a meio metro, com o pulso acelerado. A rececionista estava a dar a Pia alguns recados.
A essa distância, JT podia cheirá-la... De repente, recordou o corpo de Pia colado ao seu enquanto iam de mota para um lugar secreto nos arredores da cidade.
– Pia – disse ele, sem pensar.
Ela deixou cair a caneta que tinha na mão e virou-se com a boca aberta pela surpresa. Durante um momento interminável, ninguém disse nada. JT ficou a olhar para aqueles olhos azul-violeta que não tinha podido esquecer apesar dos anos.
Pia apertou a pasta que levava contra o peito, com a respiração acelerada.
– Somos JT Hartley e Philip Hendricks, queremos ver Pia Baxter. Não temos marcação – anunciou Philip.
Pia pestanejou e virou-se para a rececionista. Era óbvio que estava a tentar procurar uma desculpa, adivinhou JT. Desde que lhe tinha advertido que pensava impugnar o testamento do seu pai biológico, ela tinha-se negado a vê-lo em cinco ocasiões. Era compreensível que quisesse evitá-lo, pois não se tinham separado de forma amistosa, mas ele estava decidido a prosseguir com o seu plano, por isso, tinha previsto encurralá-la ao começo do dia, antes que ela se submergisse nas suas tarefas quotidianas.
– Receio que tenha outra reunião – desculpou-se ela com um sorriso educado. – Mas podem marcar uma reunião para outro dia com a minha rececionista...
– Não lhe roubaremos muito tempo, doutora Baxter – insistiu ele com segurança.
Ela inclinou a cabeça, fingindo indiferença, e falou-lhe como se não fosse mais que um simples cliente.
– Lamento, não é possível.
Acharia ela que tinha chegado até ali para desistir com tanta facilidade? pensou JT. Quando tinha descoberto que o seu pai biológico fora um importante milionário, ficara furioso, pois a sua mãe e ele mal tinham tido suficiente para comer, até ele atingir a maioridade para trabalhar. Então, tinha podido amealhar uma fortuna considerável no negócio imobiliário e a sua mãe não tinha voltado a passar aflições. Mas isso não bastava. A sua mãe tinha sacrificado demasiado para poder criá-lo sozinha e o mínimo que podia fazer por ela era dar-lhe o que merecia, ainda que fosse um pouco tarde. Por essa razão não pensava sair dali até não fazer o que tinha ido fazer.
– Pia – disse ele com tom sério. – Estou-to a pedir a bem.
Ela dirigiu-lhe o olhar como se estivesse a travar uma batalha interior. Por fim, exalou e assentiu.
– Dar-vos-ei dois minutos. Sigam-me.
JT caminhou atrás dela por um corredor, sem poder evitar reparar no bambolear das suas ancas e nas suas lindas pernas. De repente, desejou-a com mais intensidade do que alguma vez tinha desejado qualquer outra mulher desde... desde que tinha estado com ela.
Philip inclinou-se para JT para lhe sussurrar algo ao ouvido.
– Conhece-la de antes. Há mais alguma coisa que não me tenhas dito sobre a tua relação com a doutora Baxter?
JT franziu a testa. Tinha passado meia vida a tentar não pensar em Pia. Aos dezassete anos, tinha-o tentado com o álcool, depois com desportos radicais e, por fim, convertendo-se num viciado em trabalho. De modo que, em resposta à pergunta do seu advogado, sim, havia bem mais que não lhe tinha contado sobre eles. E prosseguiria sem lho contar.
– Coisas que não afetarão nada esta reunião – afirmou JT, encolhendo os ombros.
Sorrindo, Philip mexeu a cabeça.
– Deveria tê-lo adivinhado. Nenhuma mulher bonita escapa aos teus dotes de sedução, pois não?
No entanto, JT não tinha vontade de brincadeiras, nesse momento não. Além do mais, ninguém podia intuir a intensidade que caracterizara aquela relação de adolescentes. Ela fora a única mulher que tinha amado.
– Porque me dá a sensação de que o meu papel aqui é fazer de escudo humano, mais que de advogado? – perguntou Philip, chegando-se um pouco mais a ele.
Pia entrou num escritório decorado com austeridade que não se correspondia em nada à sensualidade que a caracterizava. Então, JT olhou-a com mais atenção, querendo descobrir quem era a mulher em que se tinha convertido. O seu corpo exuberante estava preso num rígido fato de saia e casaco até ao joelho. Trazia o cabelo apanhado, sem nenhuma graça. Que se tinha passado com as cores vivas de que ela costumava gostar? E com a cascata de ondas cor de fogo que lhe chegavam até aos ombros?
Então, JT percebeu que ela o estava a olhar com a testa franzida.
– Obrigado por aceitar ver-nos – disse ele com tom civilizado, e sorriu.
Pia sentou-se à secretária e fez-lhes um gesto para que se sentassem.
– Esta reunião não faz sentido. Como disse ao senhor Hendricks todas as vezes que solicitou ver-me.
JT recostou-se na cadeira.
– És a testamentária do meu pai – assinalou ele. – Acho que há alguns detalhes que devemos discutir.
– O senhor Hendricks informou-me de que pensavas impugnar o testamento de Warner Bramson – comentou Pia e arqueou uma sobrancelha. – É nos tribunais onde se deve discutir esse assunto.
JT sabia que, se chegassem aos tribunais, ele tinha todas as chances de ganhar. Conseguiria a sua parte dos milhões de Bramson, mas entretanto, tinha algumas perguntas que precisavam de resposta.
– Que opinam os filhos do Bramson da minha exigência? – perguntou JT.
– Terão de lho perguntar a eles em pessoa – respondeu ela com gesto indiferente. – Tenho a certeza de que compreenderás que não posso falar disso contigo.
– Os meus irmãos negam-se a ver-me.
Ia custar-lhe obter a informação de que precisava, pensou JT. Se havia alguma prova de que o seu pai sabia da sua existência, perderia o seu argumento perante o juiz, pois implicaria que Warner Bramson o tinha deixado fora do testamento de forma deliberada. E, se assim fosse, preferia sabê-lo quanto antes.
– Legalmente, não os podemos considerar teus irmãos. Não há nenhuma evidência de que sejas filho do senhor Bramson.
Ela não acreditava, intuiu JT. Há anos, tinham passado horas abraçados após terem feito amor, considerando possibilidades sobre quem podia ser o pai dele... um presidente, uma testemunha protegida, um pirata. E quando, por fim, ele tinha descoberto a verdade... ela não acreditava. Tratando de camuflar os seus sentimentos, limitou-se a arquear uma sobrancelha.
– As minhas palavras não significam nada para ti, pois não, Pia?
Anos antes, quando Pia era a princesinha rica mais desejada do lugar e ele era um pobre marginal, ela fora a única que tinha tido fé nele. O tempo mudava tudo, refletiu ele. Nada era permanente... e não o devia esquecer.
– Isto não tem nada a ver com o que eu penso – disse ela com tom indiferente, ainda que tenha corado um pouco. – Trata-se de um assunto legal.
– Tendo em conta que o meu suposto pai morreu e os meus supostos irmãos se negam a fazer uma prova de ADN, terás de admitir que é bastante difícil demonstrar a minha origem.
– É algo que o senhor Hendricks e tu têm de resolver quando impugnarem o testamento. Agora, se me desculpam... – replicou ela, pondo-se de pé. – Estou atrasada para a minha reunião.
– Responde-me uma só pergunta e vou-me embora – pediu ele, sem se mover.
– Acho que já disse bastante – afirmou ela com voz tensa. – Se têm mais perguntas, mandem-mas por escrito e a minha secretária ou eu enviar-vos-emos a resposta.
– Uma pergunta – insistiu ele, sem se levantar.
Pia sustentou-lhe o olhar em silêncio.
– Quero que me assegures que não vais pôr as pessoas implicadas contra mim. Diz-me que não lhes falarás mal de mim – pediu JT. A rica família dela sempre o tinha chamado de caça-fortunas e ele suspeitava que a tinham convencido. E uma má reputação poderia afetar a sua relação com os seus irmãos. – Diz-me que lhes vais dar a oportunidade de me conhecerem sem preconceitos nem ideias preconcebidas. Promete-mo, princesa.
Pia endireitou as costas, olhando-o com raiva.
– Chamo-me Pia. Ainda que para ti seja doutora Baxter. E já me consumiste mais tempo do que aquele de que dispunha para ti – indicou ela, apertando um botão na mesa e um homem corpulento apareceu à porta. – Arthur, mostra a estes senhores a saída, por favor.
Dito isso, Pia desapareceu pela mesma porta.
JT pôs-se de pé e fez um gesto a Philip.
– Conhecemos o caminho.
JT saiu do escritório seguido pelo seu advogado. Sabia que Philip o crivaria de perguntas, às quais ele não tinha intenção de responder.
Pia manteve a compostura enquanto atravessava o gabinete do seu secretário e entrava na casa de banho das senhoras. Inclusive conseguiu sorrir e cumprimentar um colega com quem se cruzou no corredor, apesar de notar como o pulso lhe latejava com força nas frontes.
A casa de banho estava vazia. Ela entrou na mais afastada, fechou a porta com ferrolho e apoiou-se nela. Durante quase catorze anos, tinha temido e esperado esse dia. No entanto, não tinha podido ser em pior momento. Levou as mãos à cara, tentando acalmar a maré emocional que a sacudia. O último de que precisava era ir-se abaixo no trabalho, sobretudo, quando estava a ponto de conseguir que a fizessem sócia da firma de advogados.
Enfrentar-se-ia às emoções que ver JT lhe tinha provocado, mas depois. De momento, o que tinha de fazer era ver o seu chefe.
Recompôs-se diante do espelho. A seguir, dirigiu-se ao escritório do chefe.
– Em que te posso ajudar, Pia? – perguntou Ted Howard, tirando os óculos de ler e pondo as mãos por trás da cabeça.
– É sobre a questão que falámos há um mês – disse ela, esforçando-se por se centrar e deixar de pensar nos olhos de JT. Engoliu em seco. – Sobre a impugnação do testamento de Bramson.
– Ah, sim, esse tipo com quem andaste há anos.
– Sim – afirmou ela e tentou respirar com normalidade.
– Se bem me lembro, quando falámos, decidimos que tinha passado muito tempo e que, como já não tinham nenhuma relação, não era razão suficiente para te afastar do caso. Mudaste de ideias?
– Não, continuo a querer este caso – respondeu Pia. Tinha sido o primeiro cliente importante que ela tinha assumido na firma e o seu chefe tinha-lhe assegurado que, se agisse de forma satisfatória, considerariam fazê-la sócia da firma. Portanto, não podia renunciar a isso. – Mas queria informar-te de que ele esteve aqui.
Howard pôs um gesto sério.
– O Harley esteve no teu escritório?
– Não tinha marcação e eu atendi-o – informou ela. – Não voltaremos a ter contacto.
– O que queria? – inquiriu o seu chefe.
O mesmo se tinha perguntado ela durante a frustrante reunião.
– Acho que estava a procurar informação que apoiasse o seu processo.
– Conseguiu o que pretendia?
– Claro que não – respondeu ela.
– Bom, então não acho que se passe nada – opinou Howard e sorriu. – Mas informa-me se voltar a entrar em contacto contigo.
– Fá-lo-ei – assegurou ela e saiu do escritório.
Não voltaria a ver JT, prometeu-se Pia.
Nessa noite, Pia ajoelhou-se perante o armário do seu quarto. Tocou a caixa que tinha guardado num canto do fundo. Tinha estado fora da sua vista, mas nunca fora dos seus pensamentos.
Com cuidado, aproximou-a, pô-la no regaço e sentou-se contra a parede. Era uma caixa vulgar, atada com um laço vermelho. No entanto, o seu conteúdo não tinha nada de comum.
Pia agarrou um extremo do laço com dedos trémulos e titubeou. Que bem lhe ia fazer recordar lembranças dolorosas? JT tinha aparecido na sua vida sem se fazer anunciar, reabrindo velhas feridas e desequilibrando-a, de acordo. Mas não devia tirar as coisas de contexto, pensou. De todos os modos, prosseguiu.
Desatou o laço, fechou os olhos e tirou a tampa, enchendo-se de coragem. Depois, abriu-os e olhou.
Ali estava a foto de JT com dezassete anos, sorrindo com olhos travessos enquanto rodeava com os braços uma Pia de dezasseis anos. Ele vestia uma velha t-shirt preta, que cobria um corpo menos musculoso do que essa manhã tinha intuído sob a camisa do homem que tinha ido vê-la. O rapaz da foto tinha sido o seu primeiro amor, mais amado por ela do que ninguém no mundo... à exceção da outra pessoa de quem guardava lembranças nessa caixa.
Os olhos encheram-se-lhe de lágrimas. Na foto, parecia tão jovem, tão ingénua... como se pensasse que tinha o mundo aos seus pés. Depois, ao longo dos anos, tinha sentido falta dessa confiança total na vida, em si mesma e na pessoa amada.
Mas JT e ela tinham vivido num mundo irreal que eles mesmos tinham construído.
A segunda foto mostrava-os aos dois com a mãe dele, Theresa Hartley. Theresa tinha-lhe dado as boas-vindas à sua pequena família de braços abertos e, como a sua própria mãe nunca tinha sido demasiado carinhosa, Pia tinha estado encantada de poder ter uma figura materna. Ela tinha sido a única coisa que Pia salvara da devastadora rutura com JT. Continuava a sair com ela uma ou duas vezes por ano e não queria deixar de o fazer nunca.
Pôs as fotos de lado e rebuscou devagar entre flores silvestres secas e outras provas de amor do JT adolescente, até que as encontrou.
Eram um par de meias de bebé sem usar, um livro de nomes com uma página marcada na lista da letra B e uma imagem de uma ecografia. Pia fechou os olhos durante um longo instante. Não tinha muito que recordar de um bebé que nunca tinha nascido.
Exceto o seu amor infinito de mãe.
Brianna.
Um gatinho suave saiu do nada e subiu para o colo de Pia. Ela não tinha ouvido Winston aproximar-se, mas agradecia o seu aparecimento. Abraçou-o com força, enquanto recordava o olhar de JT quando lhe tinha dito que estava grávida. Ele tinha-se mostrado encantado e tinha começado a planear como os manter aos três.
Iam ser uma família...
Apertando as meias contra o peito, Pia ouviu tocar o telefone. Não queria atender, mas sabia que os seus clientes mais importantes tinham o seu número privado e, se estava a ponto de que a fizessem sócia da empresa, não se podia arriscar a deixar que lhe escapasse nada. De modo que respirou fundo, alongou a mão para pegar na mala e tirou o telemóvel.
– Pia Baxter.
– Pia – disse uma voz profunda.
Ela estremeceu, apertando com mais força as meias. Um telefonema de JT Hartley era o último de que precisava, sobretudo, sentindo-se tão vulnerável. E tendo a imagem da ecografia diante da vista.
– Estás aí? – perguntou ele.
Pia engoliu em seco.
– Como conseguiste o meu número?
– Sou um homem de recursos.
– Primeiro, uma visita surpresa. E, agora, um telefonema – comentou Pia. – Deve ser o meu dia de sorte – troçou, para aligeirar a coisa. Em seguida, deixou as meias na caixa e tapou-a, fechando a porta ao seu passado. – Por que me estás a ligar?
– Não me respondeste à pergunta que te fiz no teu escritório.
Pia mal recordava o que quer que fosse da visita dessa manhã, exceto os seus olhos, as suas longas pestanas negras e o seu sorriso sedutor.
– Que pergunta?
– Pedi-te que me assegurasses que não influenciarás os filhos do Warner contra mim, nem sequer sem querer, deixando-te levar pelos teus próprios preconceitos.
Ela franziu a testa. Não julgara que essa pergunta precisasse de resposta.
– Por que iria eu ter preconceitos?
– As coisas não acabaram bem entre nós.
– JT, apesar do que possas pensar, não te guardo nenhum rancor. Sou uma profissional e levarei a cabo o meu trabalho de testamentária sem ter em conta os meus sentimentos pessoais.
Se Warner Bramson resultasse ser na realidade pai de JT, não se interporia, pensou Pia. Permaneceria neutra e limitar-se-ia a levar a cabo o seu trabalho.
– Pois fica comigo – propôs ele com uma voz tentadora. – Agora. Esta noite.
Um arrepio percorreu Pia. Estar com ele de novo?
– Não.
– Porque não?
«Porque és um perigo para o meu equilíbrio», pensou ela. «Porque despertas o pior de mim e tenho lutado muito para ser a pessoa que quero ser. Porque ver-te faz-me recordar o nosso bebé e não posso suportá-lo neste momento».
– Porque não há nenhuma razão para que nos vejamos – disse ela por fim.
– Temos de estabelecer algumas regras básicas para que possamos lidar com esta situação como é devido. Fica comigo uma vez e deixar-te-ei em paz.
Pia suspirou. O seu argumento tinha lógica. Ela tinha umas quantas regras básicas que lhe transmitir, começando por não receber visitas sem aviso no seu escritório, nem sequer com aviso. Não queria que ninguém a relacionasse com JT Hartley.
De todos os modos, podia correr o risco de vê-lo a sós? Ted Howard entenderia que só o ia ver pelo seu próprio interesse, para se assegurar de que JT se manteria à distância no futuro?
– JT...
– Só uma vez, princesa – insistiu ele com voz suave.
O coração de Pia encolheu-se. Com dezasseis anos, adorava a forma como ele costumava chamá-la de princesa... Mas no presente ela era uma mulher adulta e ele não tinha o direito de lhe falar assim... ainda que se derretesse ao ouvi-lo. Devia deixar clara essa regra também. Talvez precisassem de se ver mais uma vez ...
Tirou Winston do regaço e meteu a caixa no fundo do armário de novo.
– Onde?
– No teu escritório ou no meu, como preferires.
Era melhor não se deixar ver demasiado, enquanto decidia como o explicar a Ted Howard, pensou Pia. Se JT voltasse ao seu escritório, todo o mundo na empresa saberia que se estava a ver com a pessoa que tinha impugnado o testamento, sem a permissão dos beneficiários. O mesmo podia ocorrer se ia ao escritório dele, pois era no centro da cidade e podiam ser vistos. A única opção que tinham era encontrar-se em privado, pensou.
– Em minha casa dentro em meia hora – assinalou ela, dando-lhe a morada, sabendo que se arrependeria.
– Lá estarei.
– Será só desta vez, JT – advertiu ela antes de desligar.