
Editado por Harlequin Ibérica.
Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
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28001 Madrid
© 2002 Tina Wainscott
© 2019 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.
O melhor de mim, n.º 506 - janeiro 2019
Título original: The Best of Me
Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.
Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.
Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.
Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.
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Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.
Todos os direitos estão reservados.
I.S.B.N.: 978-84-1307-608-9
Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.
Créditos
Capítulo Um
Capítulo Dois
Capítulo Três
Capítulo Quatro
Capítulo Cinco
Capítulo Seis
Capítulo Sete
Capítulo Oito
Capítulo Nove
Capítulo Dez
Capítulo Onze
Capítulo Doze
Capítulo Treze
Capítulo Catorze
Capítulo Quinze
Capítulo Dezasseis
Capítulo Dezassete
Epílogo
Se gostou deste livro…
Lucy Donovan saiu do táxi e permaneceu uns instantes debaixo do arco da entrada do zoo marinho, junto a um letreiro apagado que dizia: «Parque Marinho Sony – conheça Randy, o golfinho». Pegou na sua bagagem e deu um longo suspiro, ao pensar que Sony já não estaria ali para atender os clientes. O seu pai tinha morrido recentemente e, ainda que há doze anos não tivesse notícias dele, deixara-lhe como herança todos os seus bens: isso incluía o zoo marinho que estava situado à beira do oceano e um apartamento em Nassau, nas Bahamas. Apesar de mal se terem conhecido, Lucy sentia a perda de um ser querido e deixou correr as lágrimas que afloravam os seus olhos.
Na opinião da sua mãe, Sony fora um homem preguiçoso e caótico, um vagabundo que não servia para nada, mas Lucy sempre tinha pensado nele como se se tratasse de um espírito livre, um explorador, até mesmo um pirata. Apesar da vida de Lucy decorrer de acordo com os valores que lhe tinha incutido a sua mãe, parte da sua alma pertencia a esse desconhecido aventureiro que fora o seu pai.
Enxugou os olhos com um lenço e apressou o passo. A bilheteira onde se vendiam as entradas estava cheia de objectos marinhos, que se vendiam como recordação: búzios, ouriços-do-mar, estrelas-do-mar… um homem moreno aproximou-se ao vê-la chegar e saudou-a com uma inclinação de cabeça. Ela apresentou-se.
– Olá, eu sou Lucy Donovan, a filha do Sony. Gostaria de falar com o Bailey.
– Muito prazer em conhecê-la, menina Lucy. Eu sou o Billy e o Bailey está no escritório, ali, em frente aos aquários.
– Obrigada, Billy. Posso deixar-te encarregue da minha bagagem?
– Sim, menina, claro!
– Obrigada.
Lucy deu uns passos e observou os aquários que continham diversas espécies de animais marinhos e cuja superfície brilhava sob o sol tropical. Havia grupos de visitantes aqui e ali, todos vestidos de forma informal, o que a fez perceber que o seu elegante traje de linho destoava do ambiente. Dirigiu-se ao escritório, onde encontrou um homem negro de constituição delgada, que estava agarrado ao telefone. Devia ser Bailey e, ao que parecia, procurava uma carta no meio do monte de papéis que cobriam a mesa, com desordem.
– Sim, tenho a carta – disse, quando a encontrou, – mas deve ser um equívoco… Sim, estou a ver a assinatura… então, nem sequer posso matá-lo a tiro? Está bem, está bem, não o mato, prometo. Adeus.
Ela deu um passo em frente, estendendo a mão para apertar a que ele lhe oferecia.
– Sou Lucy Donovan, a filha…
– Você é a filha do Sony, não há dúvida, os mesmos olhos e o mesmo cabelo castanho-escuroo. Chega mesmo a tempo, temos um problema tremendo. Esse homem que está aí fora quer roubar-nos um golfinho, maldito. Chegou esta manhã e disse que pensava levar o Randy. Sem esse animal, este zoo será uma ruína, as pessoas vão deixar de vir e não vendemos bilhetes, e se não vendemos bilhetes, não há trabalho; e se não há trabalho, não há comida. E eu tenho que alimentar a minha família – disse atabalhoadamente, antes de inspirar profundamente. – Menina Lucy, você tem que pôr esse desgraçado daqui para fora.
Lucy tinha pensado verificar as contas do zoo para decidir o que fazer com ele e também vinha disposta a indagar um pouco sobre a vida do seu pai, mesmo correndo o risco de ver desfazerem-se as suas fantasias infantis, mas não estava de forma alguma preparada para mandar ninguém para lado nenhum.
– Ele é um ladrão? – perguntou.
– Um delinquente, quer levar a nossa atracção principal. Venha, eu mostro-lhe.
– Espere um momento. – Ela tentou detê-lo. – Como é que é possível que alguém pretenda roubar um golfinho com testemunhas e em plena luz do dia? – perguntou, enquanto o seguia pelo zoo.
Aproximaram-se de uma piscina rodeada de gente.
– Ei, nós pagámos para ver as habilidades do golfinho! – Ouviu-se uma voz no meio da multidão, que resumia o mal-estar general. – Aquele homem não nos deixa aproximar. O que é que está a acontecer?
– Queremos que nos devolvam o nosso dinheiro! – exclamou outra voz acalorada.
Bailey bateu as palmas, reclamando a atenção do povo.
– Estamos a trabalhar para resolver o problema, vão ver o aquário das lagostas e quando voltarem poderão admirar a inteligência do golfinho.
As pessoas afastaram-se um pouco, mas não se quiseram ir embora quando perceberam que um espectáculo de outro tipo ia ter lugar diante dos seus olhos. Lucy aclarou a garganta, furiosa, ao comprovar que realmente havia um problema. Arregaçou as calças e saltou a pequena protecção que rodeava a piscina, para enfrentar o ladrão. O homem que estava dentro da piscina, junto ao golfinho, não lhe prestou a menor atenção e manteve sempre a vista fixa no animal. Devia ter uns trinta e poucos anos e o seu cabelo louro, húmido e encaracolado, emitia reflexos dourados sob a luz do sol. O seu torso nu era musculoso e estava muito bronzeado. A determinação que o seu queixo firme e quadrado reflectia deixou-a impressionada, ao mesmo tempo que o seu corpo sentia uma onda de interesse. Aquele homem emanava autoridade varonil e não ia ser fácil batalhar com ele.
– Ouça – disse Lucy, tentando chamar a sua atenção da relva que rodeava a piscina. O homem tirou um peixe de um cesto e o golfinho aproximou-se, pondo a cabeça fora de água com a boca aberta, mostrando duas filas de dentes diminutos perfeitamente ordenadas. Ela temeu pela integridade física do homem, mas o golfinho apanhou no ar o peixe que ele lhe lançou, antes de submergir de novo com um alegre chapinhar. A multidão aplaudiu, mas o homem ficou impassível. – Desculpe – insistiu Lucy, – gostava que saísse da piscina por um momento, para discutir este assunto.
Ele olhou para ela com insolência, fitando-a com uns olhos tão verdes como o oceano, que fizeram Lucy sentir o coração aos pulos; mas, antes de poder reagir, o homem voltou-se de novo para o golfinho. Ela desequilibrou-se ligeiramente, devido às suas sandálias de salto alto, mas recuperou de imediato e aproximou-se do homem num passo decidido: ninguém negava um cumprimento a Lucy Donovan, disse para si própria. Os anos que tinha passado como directora da sua própria agência de publicidade tinham-na ensinado a mostrar a sua força e autoridade, quando necessário. Pôs-se à beira da piscina com as mãos na cintura.
– Saia daí agora mesmo – ordenou num tom firme.
– Minha senhora, se não tem cuidado, pode cair na piscina, algumas lajes aí na beira estão um pouco soltas.
– Engana-se se pensa que me pode intimidar – disse Lucy, consciente de que a multidão seguia o desenrolar dos acontecimentos com atenção. – Quero que me explique quem você é e o que é que está aqui a fazer. Isto é uma propriedade privada.
O golfinho voltou a saltar para capturar outro peixe, a multidão aplaudiu de novo e Lucy sentiu a sua ira a crescer.
– Quero uma resposta imediata ou chamo a polícia – gritou.
– Já expliquei tudo a esse homem – disse apontando para Bailey com um aceno, mas sem desviar o olhar do golfinho.
– Uma vez que sou a proprietária, creio que é a mim que deveria explicar – salientou ela com aprumo, cruzando os braços.
– Você é a proprietária? – perguntou ele com uma careta de desgosto.
– Sim – afirmou ela. – E quero saber o que é que está a fazer com o meu peixe.
Ele nadou até à beira da piscina e, com um único impulso, saltou para fora. Ficou cara a cara com ela, com a água a escorrer por todo o seu corpo, o pêlo húmido do peito a brilhar ao sol e o centro da sua virilidade destacando-se por baixo de um minúsculo calção de banho. Tinha um dente de tubarão atado ao pescoço com uma tira de couro. Lucy afastou os pensamentos libidinosos que afloraram à sua mente e olhou para ele sem se deixar intimidar com a sua altura ou com a profundidade do seu olhar. No entanto, não deixou de sentir uma onda de calor que a inflamou e percorreu todo o seu corpo.
– Para começar, isto não é um peixe – esclareceu ele com aptidão. – É um mamífero como você e eu, ainda que muito mais compreensivo e amável que os seres humanos. Este golfinho está há seis anos a viver nesta piscina cheia de cloro, que já lhe branqueou a cor original da pele e que o obriga a manter os olhos semicerrados. Tem de voltar ao mar alto, é uma criatura muito sociável que se viu obrigada a sobreviver na solidão do cativeiro, enquanto um treinador o obrigava a fazer números de circo para entreter os visitantes, a troco de um prémio que consistia exclusivamente em peixe congelado. Vocês roubaram-lhe a liberdade, as suas relações sociais, a excitação da pesca, o prazer de mergulhar e saltar num oceano infinito…, enfim, vocês roubaram-lhe a alma. Se continuar aqui, morrerá dentro em breve e foi por isso que eu vim, para o salvar. Chamo-me Chris Maddox, sou o fundador da Associação de Golfinhos Livres e tenho uma licença do governo das Bahamas para voltar a treinar este golfinho e devolvê-lo ao seu habitat natural. E não penso ir-me embora sem ele – concluiu, acariciando levemente o dente de tubarão. – Entende?
Lucy ouvira com atenção cada uma das suas palavras e a sua ira convertera-se em culpa. Deu um passo, inquieta, e uma das lajes moveu-se, fazendo-a perder o equilíbrio. Movimentou os braços para tentar equilibrar-se mas, quando estava quase a cair dentro da água onde nadava aquele bicho enorme, gritou assustada e agarrou-se a Chris. Ele tentou segurá-la, mas já era demasiado tarde e ambos mergulharam juntos na piscina. Lucy veio à superfície ofegante e nadou com fúria até à beira da piscina. O golfinho pensou que se tratava de um jogo e seguiu-a.
– Afaste-o de mim! – gritou em pânico, antes de perceber que ele estava a rir-se às gargalhadas, tal como o público. O medo transformou-se em fúria e o golfinho pôs a cabeça fora de água para olhar para ela com o que parecia ser uma expressão divertida. – Não tem graça nenhuma – disse. – Por favor, afaste esse peixe de mim – rogou.
– Não é um peixe, é um golfinho – corrigiu Chris de novo, com um sorriso.
– Está bem, mas mantenha-o afastado de mim, enquanto saio da piscina, por favor.
Ele saltou da piscina e ela também tentou, mas as suas calças de linho pesavam como chumbo.
– Quer ajuda? – perguntou ele.
– Não – respondeu ela secamente. Tirou as elegantes sandálias de salto alto e atirou-as para a relva. Se pelo menos conseguisse manter a dignidade…
– Tem a certeza que não quer que a ajude? – insistiu ele.
– Não, eu consigo sozinha, é que as minhas calças pe… – antes de ter a oportunidade de terminar a frase, ele içou-a e pô-la de pé, demonstrando a mestria de um desportista consumado.
– Não sei se deva agradecer-lhe ou ralhar consigo por se ter atrevido a tocar-me – disse ela, irritada e vermelha ao mesmo tempo.
– Eu também gostei – brincou ele com um sorriso diabólico.
Ela revirou os olhos com o íntimo comentário e depois olhou para a multidão: convertera-se no centro de uma atracção turística.
– Por favor, dispersa estas pessoas – pediu a Bailey.
– Agora mesmo – respondeu ele. – Mas ponha esse homem daqui para fora, lembre-se que esse peixe é o nosso ganha-pão.
Ela ignorou o comentário e voltou-se para Chris, que olhava para ela com uma expressão indulgente.
– Porque é que não vamos até ao escritório e falamos deste assunto civilizadamente? – propôs.
– Não sei se já percebeste – disse ele, atrevendo-se a tratá-la por tu, – mas eu não sou uma pessoa civilizada e não há nada que possamos negociar. Já entreguei ao teu empregado a carta que diz que este golfinho me pertence. Acho que isso é suficiente – disse, antes de deslizar de novo para dentro da piscina e nadar até ao cesto do peixe. Ela contornou com cuidado a piscina e aproximou-se dele com um interesse genuíno, demonstrando que tinha sentimentos.
– Tudo isso que disseste sobre o cloro e…
– Este golfinho está a receber um tratamento cruel e desumano. O Liberty, ou o Randy, como vocês lhe chamam, não nasceu para entreter turistas. Como é que tu te sentirias se tivesses que viver num quarto pequeno e pestilento, alimentando-te de comida congelada, e fazendo piruetas para divertimento dos clientes? O que é que sentirias se estivesses entre quatro paredes, sem nunca poderes apreciar o horizonte?
Liberty meneava a cabeça como se quisesse corroborar as palavras de Chris, à espera que este lhe lançasse outro peixe. Lucy sentiu uma pontada no coração ao descobrir as contusões que o golfinho tinha na cabeça e, de repente, lembrou-se que Chris devia supor que era ela quem tinha dirigido o zoo marinho desde a sua criação.
– Eu não dei nenhum tratamento desumano a esse golfinho – esclareceu. – Acabo de herdar o zoo, que era do meu pai, Sony Boland – explicou perante o olhar interrogante dele. – Nem sequer sabia que ele o tinha, perdemos o contacto há muitos anos. – Porque é que estava a dar tantas explicações a um desconhecido? – Acabo de chegar hoje mesmo e o Bailey disse-me que alguém estava a tentar roubar este peixe – Chris revirou os olhos. – Está bem, pronto, não é um peixe, é um golfinho.
Mas Chris parecia ter submergido de novo no seu mundo aquático, esquecendo-a por completo. Se lhe restava o menor pingo de dignidade, afastar-se-ia dali imediatamente para tratar dos seus assuntos, mas a curiosidade de Lucy era mais forte do que o seu sentido do decoro.
– Porque é que lhe chamas Liberty? – perguntou.
– Não gosto que os animais tenham nomes de pessoas, por isso dei-lhe outro nome.
– E o que é que pensas fazer com ele? – interrogou-o de novo, depois de uns momentos de um estranho silêncio. Estava ansiosa para vestir roupa seca, mas não podia ir-se embora sem deixar bem claro que ela não torturava animais, independentemente da raça.
– Tenho que o destreinar e voltar a ensiná-lo de novo a capturar peixes vivos e a usar o sonar – respondeu ele sem olhar para ela.
– O sonar?
– Os golfinhos emitem sons cujos ecos lhes indicam o que é que está à sua volta e onde procurar as presas. Depois de passar seis anos nesta piscina, o Liberty deixou de o usar porque os sinais batem constantemente contra as paredes e deixam-no louco.
– Posso fazer alguma coisa para ajudar?
– Não, é melhor ires-te embora e deixares-nos sozinhos. Não precisamos de nada.
Nem sequer lhe agradeceu a oferta, ou lhe dedicou um sorriso de despedida. Na verdade, nem sequer se voltou para a olhar.
– Vives disto? A Associação de Golfinhos Livres paga-te?
– Eu sou a Associação de Golfinhos Livres. Viajo de uma prisão aquática para outra, libertando os golfinhos maltratados.
– Prisão aquática? Estás a dizer-me que este zoo é uma prisão aquática?
– Para o Liberty é. Não sei como é que tratam o resto dos animais.
Ela olhou à sua volta: o parque era antiquado, mas estava limpo.
– Achas que o meu pai era uma pessoa cruel ou simplesmente inconsciente?
– Só o vi uma vez, quando vim verificar o estado do Liberty, antes de tratar dos papéis – disse, dirigindo-lhe um olhar inesperado, que a fez tremer por completo. – Não sei. Só sei que comprava comida de má qualidade e que nunca pensou em implantar um sistema que permitisse renovar a piscina com água do mar fresca; usava água doce com cloro e sulfuretos. O teu pai aumentava os lucros à custa da qualidade de vida do Liberty. Agora estou a bombear água do mar, à espera que os olhos deles sarem e possa abri-los completamente.
– Ele morde? Quero dizer… estive em perigo quando…?
– A única coisa que esteve em perigo foi a tua dignidade. Os golfinhos são bastante dóceis em cativeiro – respondeu ele com um sorriso radiante, recordando, seguramente, a cena cómica. Lançou o último peixe do cesto e esfregou as mãos debaixo de água. – E tu…, não te sentirias deprimida se vivesses fechada nalgum lado?
– Provavelmente – respondeu, arrepiando-se só de pensar nessa ideia. – Dedicas toda a tua vida aos golfinhos, não é?
– Sim – respondeu Chris, saltando para fora da piscina e pegando numa toalha. – Já agora, quanto tempo vais estar por aqui?
– Uma semana, não posso faltar ao trabalho mais tempo.
Ele assentiu, enquanto secava os suaves caracóis dourados. Depois tirou uma t-shirt e uns calções de um saco de desporto e vestiu-os. Um suave pêlo dourado cobria as suas pernas musculadas. Ela olhou para ele e, finalmente, recebeu o sorriso complacente que esperava desde o início da conversa. O seu pulso acelerou, por um momento pensou que ele admitia a sua presença, que tinha percebido que ela não era responsável pelos maus tratos recebidos pelos animais, apesar de o zoo lhe pertencer. Mas o olhar de Chris perdeu-se, o seu pensamento já não estava ali.
– Fica bem – disse ele em tom de despedida, enquanto ela sentia que se ia embora o homem que mais a impressionara em toda a sua vida.
Ele cruzou o arco da entrada, montou numa motocicleta e afastou-se tranquilamente sem olhar para trás. Estava estupefacta, por um lado sabia que não conseguiria deixar de pensar nele e, por outro, a sua forma de se despedir não deixava lugar à esperança de que ele pudesse sentir-se interessado por ela. Tinha deixado bem claro que não precisava da sua ajuda, quase lhe tinha dado a entender que a sua presença era um incómodo. Era óbvio que não era um homem que se deixasse guiar pela cortesia e pelas boas maneiras. Lucy Donovan sabia afastar-se dos problemas, tinha deixado o seu ex-marido quando decidiu que a relação do casal já não era satisfatória, e também não pensava rondar pelas cercanias de Chris Maddox se ele não a aceitasse como amiga. No entanto, algo dentro dela a fez pensar que esse homem não só não desejava a sua companhia, como também, na verdade, não desejava a companhia de ninguém. Perguntou-se porquê.