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Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

 

© 2015 Cathy Williams

© 2019 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Lua de mel pendente, n.º 1777 - fevereiro 2019

Título original: The Wedding Night Debt

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.

 

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.

Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin, Sabrina e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença.

As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos estão reservados.

 

I.S.B.N.: 978-84-1307-651-5

 

Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.

Sumário

 

Créditos

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

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Capítulo 1

 

 

 

 

 

Divórcio. Era algo que acontecia com outras pessoas. Acontecia com as pessoas que não davam importância ao casamento, que não entendiam que deviam cuidar dele, alimentá-lo e lidar com ele com a delicadeza com que se toca numa peça de porcelana muito cara.

Em qualquer caso, essa fora a forma de pensar de Lucy durante toda a vida. Por isso, não compreendia o que fazia ali parada, numa das casas mais grandiosas de Londres, à espera que o marido voltasse a casa para lhe pedir o divórcio.

Quando olhou para o relógio de diamantes que usava, sentiu um nó no estômago de ansiedade. Dio voltaria dentro de uma hora. Não conseguia recordar para onde fora de viagem na última semana e meia. Nova Iorque? Paris? Tinham casas em ambos os lugares. Ou talvez estivesse na casa de praia. Quem sabia? Ela não.

Uma onda de tristeza invadiu-a.

Estava casada há quase um ano e meio. Tivera tempo suficiente para aceitar que os seus sonhos de juventude estavam destruídos.

Ao levantar o olhar, viu-se refletida no espelho artesanal enorme que dominava a sala. Era uma mulher alta, esbelta, de cabelo loiro e comprido, de ombros retos e pele cor de baunilha. Quando tinha dezasseis anos, uma agência de modelos quisera contratá-la e o pai encorajara-a a entrar nesse mundo. Afinal de contas, que outra coisa é que uma rapariga bela com os seus talentos podia fazer? Contudo, recusara-se e insistira em ir para a universidade. De qualquer forma, de pouco lhe servira, pois acabara ali, naquela casa enorme, sozinha e a desempenhar o papel de governanta perfeita.

Mal se reconhecia. Usava uns calções de seda e uma blusa de alças a condizer, com saltos e algumas joias de grande valor. Transformara-se na típica esposa troféu de um multimilionário. Contudo, o marido não voltava logo para casa todas as tardes, perguntando o que havia para jantar. Isso teria melhorado ligeiramente a sua situação, pensou, com amargura.

Embora a sua situação tivesse mudado nos dois últimos meses, pensou, com um pequeno sorriso. As coisas não eram tão estéreis como antes, recordou-se, acariciando o pequeno segredo que vibrava no seu interior.

Isso compensava-a por todo o tempo que dedicara a vestir-se como uma boneca cara, a sorrir com educação nas reuniões e a fazer de anfitriã para os mais ricos.

Finalmente… O divórcio libertá-la-ia.

Porém, havia a possibilidade de Dio se opor. Embora não tivesse razão para se recusar, pensou, sem conseguir evitar sentir-se cada vez mais nervosa.

Dio Ruiz era o protótipo do macho alfa. Nos negócios, levava sempre a sua avante. Era o homem mais sensual do planeta e também o mais intimidante.

Contudo, ela não ia deixar-se intimidar. Passara os últimos dias a convencer-se disso, depois de ter tomado finalmente uma decisão. Criar a maior distância possível entre ela e o marido era a melhor opção, repetiu-se.

O único pequeno problema era que Dio não o esperava. E era o tipo de homem que odiava o inesperado.

Lucy ouviu a porta principal e, com o estômago apertado, virou-se para o receber. Imediatamente, a sua presença física poderosa encheu a divisão.

Reparara nele quando tinha vinte e dois anos. Parecera-lhe o homem mais imponente que alguma vez vira. E continuava a pensar assim. Tinha o cabelo preto como o carvão, a pele azeitonada e os olhos verdes, emoldurados por pestanas grossas. A sua boca era firme e sensual. E tudo nele a avisava de que não era o tipo de homem com quem podia brincar.

– O que estás a fazer aqui? Pensei que estavas em Paris… – comentou ele e, apoiado na ombreira da porta, começou a afrouxar a gravata.

Surpresa, surpresa. Em geral, os seus encontros com a esposa eram meticulosamente planeados com antecedência. Eram encontros formais, previstos e nunca espontâneos. Quando ambos estavam em Londres, as suas agendas estavam cheias de obrigações e eventos sociais. Tinham quartos separados, preparavam-se nos seus respetivos territórios e encontravam-se no vestíbulo, arranjados e prontos para oferecer ao mundo uma imagem enganosa de casal unido.

De vez em quando, Lucy acompanhava-o a Paris, Nova Iorque ou Hong Kong, como o acessório perfeito.

Inteligente, bem-educada e bela. Uma boa acompanhante para viagens de negócios.

Depois de tirar a gravata, Dio observou-a por um instante com o sobrolho franzido e aproximou-se dela. Ao parar, começou a desabotoar a camisa.

– Bom… A que devo este prazer inesperado? – perguntou ele, num tom sensual.

O seu cheiro, a limpo e a homem, invadiu-a.

– Interrompo os teus planos para a noite? – inquiriu ela, desviando o olhar do seu peito bronzeado.

– Os meus planos eram ler um documento legal muito aborrecido sobre a compra de uma empresa. Que planos achas que podias estar a interromper?

– Não sei – disse ela, encolhendo os ombros. – Não sei o que fazes na minha ausência.

– Queres que te conte?

– Não importa, na verdade. Embora tivesse sido um pouco embaraçoso ver-te a entrar de braço dado com uma mulher – troçou ela, fingindo uma gargalhada distante e fria.

Não fora sempre assim. Ao princípio, fora suficientemente estúpida para pensar que ele realmente se interessava por ela.

Tinham saído juntos algumas vezes. Lucy fizera-o rir-se com histórias das amigas da universidade e das suas aventuras. Também o ouvira, contente, quando lhe falara dos lugares que visitara. O facto de o pai ter dado a sua aprovação à relação também fora decisivo, tendo em conta que sempre olhara com maus olhos para os seus namorados anteriores. A verdade era que o habitual em Robert Bishop fora criticar todas as escolhas da filha. Por isso, o facto de o pai aceitar Dio fora uma novidade muito refrescante.

Se Lucy não estivesse tão cega pelo amor, ter-se-ia questionado pela razão desse mudança. Porém, estivera demasiado embevecida para questionar a benevolência paterna súbita.

Quando Dio a pedira em casamento depois de um romance excitante, sentira-se nas nuvens. O noivado intenso, mas casto, entusiasmara-a, tal como o facto de ele ter tido tanta pressa para se casar. Sentira-se entusiasmada, além disso, com a perspetiva de ir de lua de mel às Maldivas e com a noite de casamento, o momento em que perderia a virgindade.

A sua primeira noite juntos, porém, não fora como Lucy esperara. Quando fora procurá-lo, deixando para trás o barulho da música, a dança e os convidados, não o encontrara… Até ouvir o tom profundo da sua voz no escritório do pai.

Para ele, fora apenas um casamento por conveniência. Dio adquirira a empresa do pai e ela fora uma espécie de troféu como bónus da compra. Ou talvez tivesse sido o pai a insistir que se casassem para, de alguma forma, manter a sua velha empresa na família.

Graças a ela, o pai tinha a certeza de que Dio não o deixaria fora de jogo. Fora o que o velho confessara quando Lucy o confrontara mais tarde, dizendo o que ouvira naquela noite fatídica. Ainda por cima, graças ao casamento, o pai conseguira somas de dinheiro antes inimagináveis para ele.

De repente, Lucy perdera a inocência. E o seu casamento acabara mesmo antes de ter começado.

O problema fora que não pudera divorciar-se. O pai avisara-a. Não, a menos que quisesse que a empresa da família se perdesse. Para cúmulo, havia alguns assuntos sujos de dinheiro que Dio prometera resolver… Pelos vistos, o pai pedira dinheiro emprestado que não pagara e podia ter ido para a prisão por isso. Queria ver o pai atrás das grades? Queria que todos apontassem para eles e gozassem?

Dessa forma, Lucy decidira fazer parte da farsa. Conseguira salvar o pai da prisão, em troca de se encarcerar.

Sim, decidira estar casada sozinha, aparentemente. Não havia sexo. Não havia bajulações. Se Dio pensara que comprara o seu corpo e a sua alma, demonstrara-lhe que se enganara.

Cada vez que Lucy recordava como se apaixonara por ele, como achara que ele a correspondera, morria de vergonha.

Por isso, fechara as suas ilusões numa caixa, deitara a chave fora… e ali estava.

– Algum problema com a casa de Paris? – perguntou ele, num tom educado. – Queres beber alguma coisa? Podemos celebrar o facto de, pela primeira vez, estarmos juntos na mesma divisão, sozinhos e sem combinar com antecedência.

Ainda que, se Dio pensasse bem, tivessem estado assim muitas vezes antes de se casar, quando Lucy dera rédea solta a todas as suas artimanhas para o caçar.

Dio fixara o olhar em Robert Bishop e na empresa dele há muito tempo. Seguira a sua trajetória, soubera esperar e fora testemunha de como se afundava num poço de dívidas. Então, como um predador faminto, atacara no momento perfeito.

A vingança era um prato que se servia frio.

Contudo, não contara com a filha. Assim que a vira pela primeira vez, a sua beleza etérea e inocente alterara os seus planos imediatamente. Ficara hipnotizado sem remédio, algo muito pouco comum nele.

Não contara com essa complicação. Achara que Lucy iria para a cama com ele e, em poucas semanas, conseguiria esquecê-la. Porém, depois de semanas de cortejo, Dio compreendera que quisera mais do que uma aventura com ela.

O problema era que, quase um ano e meio depois, o seu casamento era tão estéril como o pó, refletiu Dio. Nunca fora para a cama com ela. E tinha a sensação amarga de que, apesar de ter achado que ganhara, Lucy e o maldito pai tinham gozado com ele. Em vez de denunciar Robert Bishop à polícia por causa dos seus crimes de fraude, tapara os buracos da empresa. Fizera-o por Lucy. Quisera tê-la do seu lado e compreendera que salvar a empresa do pai fizera parte do acordo. Claro, fizera dinheiro com a transação e deixara Robert Bishop fora da direção da empresa, certificando-se de que tinha dinheiro suficiente para não pensar em nada senão em desfrutar da vida.

Mesmo assim…

Deixara-se enganar pelo encanto discreto e tímido de Lucy. Quando olhara para ele com os seus olhos castanhos enormes e uma expressão de encantamento, sentira-se como se tivesse encontrado o segredo da vida eterna.

Lucy encorajara-o a cortejá-la. Quem sabia se o farsante do pai a encorajara a fazê-lo. Mas isso já não importava.

Lucy abanou a cabeça perante a oferta de beber alguma coisa. Mas, de todos os modos, Dio serviu-se de um uísque para ele e de vinho para ela.

– Acalma-te – pediu Dio, dando-lhe o seu copo. Depois, pôs-se junto da janela, onde bebeu um gole da bebida, enquanto a observava em silêncio.

Na noite de núpcias, Lucy deixara claro como a água que aquele não era um casamento real. Não haveria sexo, não haveria conversas íntimas e não se conheceriam melhor. Muito bem, adquirira a empresa do pai. Mas ela não fazia parte do pacote.

Dio nunca pensara em ter uma conversa séria com ela sobre a natureza do seu casamento. Nunca fizera um esforço para falar das coisas. Por outro lado, ninguém podia acusar Lucy de não ser a esposa perfeita. A sua formosura loira e esbelta não tinha igual, acompanhada de um ar de inocência e maneiras deliciosas. Era a melhor acompanhante que um homem de negócios podia desejar. E uma atriz excelente.

– Se não estás em Paris, deve ter acontecido alguma coisa à nossa casa de lá. Devias saber que não quero que me incomodes com esses detalhes. Fazer com que tudo funcione como é de esperar é o teu trabalho.

Lucy ficou tensa. Trabalho. Era a palavra perfeita para descrever o que aquele casamento era para ela.

– A casa de Paris está lindamente. Só decidi que… – começou a dizer ela e fez uma pausa para beber um gole do seu copo. – Temos de falar.

– A sério? Sobre o quê? Não me digas que queres um aumento de salário, Lucy? A tua conta bancária goza de muito boa saúde. Ou viste algum capricho? Queres uma casa em Itália? Compra-a – redarguiu e, encolhendo os ombros, acabou o resto do uísque. – Desde que seja num lugar que possa ser conveniente para os negócios, não me importo.

– Porque haveria de querer comprar uma casa, Dio?

– Então, o que é? Joias? Um quadro? O quê?

O seu tom de indiferença e desprezo fez com que Lucy sentisse um nó maior no estômago. Em geral, não costumavam ter conversas de mais de cinco minutos, quando se viam presos no mesmo táxi ou regressavam a alguma das suas mansões, enquanto tiravam os casacos para desaparecer em alas opostas da casa.

– Não quero comprar nada – declarou ela. Pousou os olhos nos móveis caros, nos quadros e nos tapetes persas que enfeitavam o espaço.

Dio nunca reparava em gastos. O trabalho de Lucy consistia em certificar-se de que todas as suas propriedades imobiliárias caras funcionavam na perfeição. Às vezes, emprestava-as a algum sócio ou cliente. Então, ela devia certificar-se de que estava tudo pronto, limpo e com provisões, para que o convidado ficasse satisfeito.

– Nesse caso, porque não vais direto à questão de uma vez? Vim para casa porque tenho de acabar uma coisa no computador antes de me deitar.

– Claro. Se soubesses que estava à tua espera aqui, terias ido para qualquer outro lugar.

Dio encolheu os ombros, sem se incomodar em dizer o contrário.

– Sinto que… as circunstâncias entre nós mudaram desde que o meu pai morreu há seis meses.

Sem parar de olhar para ela, Dio pousou o copo na mesa. No que lhe dizia respeito, o mundo era um lugar melhor sem Robert Bishop. Não sabia o que a esposa pensava, era verdade. Desde o dia do funeral, em que ela não derramara nenhuma lágrima, tudo continuara como sempre.

– Explica-te.

– Não quero continuar presa a ti e já não é necessário – explicou, tentando não se deixar intimidar pelo olhar penetrante do marido.

– Também estás presa a um estilo de vida que a maioria das mulheres invejaria.

– Então, tens de me deixar ir e procurar uma dessas mulheres para ocupar o meu lugar – disse ela, corando. – Seria mais feliz. De certeza que sabes que não sou feliz, Dio. Talvez saibas e não te importes.

Lucy sentou-se, sem se atrever a olhar para ele nos olhos. Dio continuava a exercer uma atração poderosa sobre ela, apesar de ter tentando matar essa sensação. Era inadequado sentir-se atraída por um homem que a usara e que se casara com ela para a exibir como troféu nos negócios. Não tinha sentido.

– Estás a dizer-me que queres divorciar-te?

– Como poderias culpar-me? – replicou ela e, finalmente, olhou para ele nos olhos. – Não vivemos como um casal. Nem sequer entendo porque te casaste comigo, nem porque te interessaste por mim ao princípio – acrescentou. Porém, entendia. O pai explicara-lhe que Dio procurava reconhecimento social tendo-a como esposa. Para quê? Não sabia.

Era algo que Lucy nunca perguntara ao marido. Já era bastante humilhante pensar que a tornara sua esposa só para a usar.

– Podias ter comprado a empresa do meu pai sem necessidade de te casares comigo – continuou ela, usando toda a sua coragem para não desviar o olhar. – Sei que o meu pai tentou unir-nos porque pensava que, se nos cassássemos, não o mandarias para a prisão. Mas tu não tinhas nenhuma razão para o fazer. Podias ter escolhido qualquer outra mulher. De certeza que muitas teriam ficado contentes.

– Como te terias sentido se o teu paizinho tivesse acabado na prisão?

– Ninguém quer ver um parente atrás das grades.

Era uma resposta estranha, mas Dio deixou-a passar. O aparecimento súbito de Lucy deixara-o perplexo e um pouco fora de combate, embora o escondesse na perfeição.

Achava que podia tratá-lo como uma marioneta? Achava que podia atraí-lo e casar-se com ele para, depois, o rejeitar na noite de núpcias? E, depois da morte do pai, livrar-se dele tão facilmente?

– Não, ter um parente na prisão não fica bem nas reuniões sociais, pois não? – comentou ele e levantou-se para se servir de outro copo. – Diz-me uma coisa, Lucy, o que pensas do uso que o teu pai fez dos recursos de pensões da empresa?

– Ele nunca me explicou com detalhe o que tinha feito – murmurou ela, incomodada. A verdade era que não soubera muito dos assuntos financeiros do pai, até ouvir aquela conversa atrás da porta no dia do seu casamento.