sab649.jpg

 

Editado por Harlequin Ibérica.

Uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Núñez de Balboa, 56

28001 Madrid

 

© 2001 Sandra Chastain

© 2019 Harlequin Ibérica, uma divisão de HarperCollins Ibérica, S.A.

Um noivo perfeito, n.º 649 - maio 2020

Título original: Bedroom Eyes

Publicado originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd

 

Reservados todos os direitos de acordo com a legislação em vigor, incluindo os de reprodução, total ou parcial.

Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Books S.A.

Esta é uma obra de ficção. Nomes, carateres, lugares e situações são produto da imaginação do autor ou são utilizados ficticiamente, e qualquer semelhança com pessoas, vivas ou mortas, estabelecimentos de negócios (comerciais), feitos ou situações são pura coincidência.

® Harlequin, Sabrina e logótipo Harlequin são marcas registadas propriedades de Harlequin Enterprises Limited.

® e ™ são marcas registadas por Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença.

As marcas em que aparece ® estão registadas na Oficina Española de Patentes y Marcas e noutros países.

Imagem de portada utilizada com a permissão de Harlequin Enterprises Limited.

Todos os direitos estão reservados.

 

I.S.B.N.: 978-84-1348-304-7

 

Conversão ebook: MT Color & Diseño, S.L.

Sumário

 

Créditos

Prólogo

Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

Capítulo 5

Capítulo 6

Capítulo 7

Capítulo 8

Capítulo 9

Capítulo 10

Capítulo 11

Capítulo 12

Capítulo 13

Epílogo

Se gostou deste livro…

Prólogo

 

 

 

 

 

– Jamais pensei que fosse dizer algo assim, mas preciso desesperadamente de um homem – anunciou Anne Harris, sentando-se e ajeitando as pernas sob a saia curta. – E a minha mãe não fez nenhum comentário a respeito de terem alguns prospectos disponíveis sobre o assunto…

– A nossa empresa, Solteiros para Presente, não funciona bem assim – explicou Bettina, com um sorriso. – A fotografia real é apenas, uma parte dos nossos serviços. Temos de criar um passado romântico e projectar um plano de acção. Seria um homem novo na sua vida ou um amante para muito tempo?

– Nenhum dos dois. Preciso apenas alugar um noivo temporário.

– Muito bem, os nossos serviços podem cobrir uma actuação mensal pelo tempo que desejar. – Do outro lado da escrivaninha, Bettina estudava a sua mais nova cliente e pensava em Mitchell, que o mundo conhecia apenas como Dane, o fotógrafo. Era estranho, mas achava que aquela mulher era perfeita para ele.

Diferente de Mitchell, Anne Harris era a imagem da competência, da determinação e da dedicação.

Usava os cabelos presos num carrapito austero, e as suas roupas escuras eram sóbrias e exalavam poder. No entanto, Bettina podia sentir algo selvagem por trás daquela aparência de executiva bem sucedida. Era uma pena a Solteiros para Presente não poder unir as suas clientes a homens de verdade, ao invés de apenas fornecer uma fantasia…

Bettina não soubera o que esperar quando Faylene Harris dissera que a sua filha Anne iria ao escritório, mas a atitude dela não era nenhuma surpresa. Bettina tinha sido avisada de que Anne era uma executiva determinada a alcançar o topo na sua carreira. Desde a morte do pai, ela dedicara-se de corpo e alma ao trabalho. Era uma profissional que fazia acontecer, que queria alcançar o que o pai não conseguira e que tinha a missão de cuidar muito bem da sua mãe. Bettina entendia tal situação. O seu irmão mais velho, Mitchell, fizera a mesma coisa. Quando o pai falecera, a responsabilidade de cuidar dos dois irmãos e da irmã ficara sobre os seus ombros. E, assim que Bettina entrara na faculdade, Mitchell, o determinado, deixara de existir, e logo aparecera Mitchell, o sonhador, disposto a fazer do mundo o seu lar.

– Há um mês, eu não acreditaria que um serviço como este poderia sequer existir – comentou Anne, sorrindo ao de leve. – O estranho é minha mãe saber… embora ela jamais pudesse ser vossa cliente, ainda mais porque os homens daqui não são bem reais. Ah, desculpe, eu não quis dizer isso… Pelo menos, não do modo como pode parecer…

Bettina sorriu.

– Não precisa se desculpar. Conheço Faylene muito bem. Nós conhecemo-nos na academia de ginástica há dois anos e sei como ela sabe admirar homens bonitos. Estou até surpreendida que ela não tenha vindo consigo para ajudá-la a escolher o seu noivo…

– Para dizer a verdade, foi a ajuda dela que me colocou em sérios problemas. Foi ela quem disse ao meu chefe que eu estou noiva. E eu deveria tê-la corrigido no momento em que o disse, mas… eu tinha percebido que ele já estava encantado com ela e não quis que ela parecesse uma tola e muito menos mentirosa. E agora tenho que compartilhar a mentira, acredita? Mas não gosto de enganar ninguém… Não gosto porque sei que isso pode vir a magoar alguém.

Havia algo no tom preocupado da voz de Anne que pareceu dizer a Bettina que ela mesma já havia passado antes por enganos e mágoas… E estava interessada em ajudar aquela jovem. Gostava de saber que Anne se importava com a sua mãe e que não aprovava mentiras.

– Gostaria de uma chávena de chá, Anne? – ofereceu.

– Não, obrigada. – Ela olhou para o relógio, visivelmente preocupada com os compromissos de trabalho. – Lamento, mas… não sei ainda o seu nome…

– Bettina. Apenas Bettina. Tento viver a fantasia que vendo, sabe?

– Bem, Bettina, eu realmente preciso da sua ajuda. Por favor, mostre-me as fotos de que dispõe para que eu possa voltar ao meu escritório.

Bettina inclinou-se na cadeira, e explicou:

– Bem, os meus serviços não funcionam assim. A sua ficha contém as suas predilecções, mas ainda precisamos criar uma história para o seu noivo. Só então lhe mostrarei uma fotografia e iniciaremos o relacionamento-fantasia. O seu noivo pode não ser um homem real, mas temos de fazer com que as pessoas ao seu redor acreditem que é. Tem alguma pergunta?

– Sim. Onde consegue as suas fotografias?

– Uso modelos. Mas não precisa de se preocupar com isso. Ninguém irá reconhecer o seu noivo. Agora, se não se importar, para que o meu trabalho fique mais perfeito, gostaria que me falasse dos seus gostos pessoais nas suas próprias palavras.

Anne parecia impaciente, mas concordou:

– Bem, trabalho para a empresa Bundles of Joy, que fabrica produtos especializados para bebés. O dono da companhia, o homem que minha mãe parece ter eleito como o mais provável na sua lista de solteiros, acredita que as pessoas que têm filhos também têm um instinto misterioso, nato, para vender a outras pessoas parecidas. Eu achei que teria tempo para lhe mostrar como ele está enganado, e agora um dos vice-presidentes está a aposentar-se e eu tenho fortes possibilidades de ficar com o cargo.

– Mas isso é maravilhoso!

– Seria, se a minha principal rival não tivesse o marido perfeito e duas crianças também perfeitas. O que eu não tenho.

– E você gosta de crianças?

– Adoro! – Anne ajeitou novamente a saia e depois acrescentou, em voz bem mais baixa: – Mas não planeio ter filhos. E o único marido que terei será esse, um marido de fantasia, que você vai arranjar-me.

Um leve sinal de angústia nos olhos de Anne dizia mais do que as suas palavras. Bettina já vira olhares assim. Vira aquela mesma expressão nos olhos do seu irmão. Ele não falava a esse respeito, mas quando fora ao Hawai, conheceu lá uma rapariga por quem se apaixonou. Mas ela tinha morrido e ele transformara-se num ser sem lugar fixo, determinado a jamais criar raízes em lugar algum.

Usava apenas Dane como nome e fotografava florestas, sítios arqueológicos e grandes acontecimentos pelo mundo fora. Criara uma reputação que lhe garantia poder escolher os trabalhos que queria realizar sustentando-se assim com toda a tranquilidade. Não havia mais raparigas na sua vida, somente fotografias de crianças com expressões marcantes. Mas ele vendera apenas duas delas para uma grande galeria; as outras, tinha-as arquivado num grande baú no sótão da sua casa.

Era estranho, mas as crianças e as famílias não combinavam com o estilo de vida que ele levava. Como não combinavam com o estilo de vida de Anne.

Bettina abriu a gaveta de cima da sua mesa e tirou dela o arquivo original dos modelos que usara para abrir a sua agência. Daria a Anne o noivo perfeito. Iria dar-lhe Mitchell. E, se ela e Faylene arquitectassem um bom plano, talvez pudessem achar um meio de tornar o noivo de Anne em alguém real…

– Acho que tenho o homem de que precisa, querida – disse, sorridente. – Vou falar-lhe agora sobre Mitchell Dane.